Postado em as coisas em Novembro 9, 2009 por meuparedro




Não é que eu não goste mais de vocês ou esteja cansado
do que quer que seja.
Nunca esqueci o que vivemos juntos.
É que, quando me olho no espelho,
fico pensando que preciso fazer alguma coisa com a minha vida.
Tantos plantões e cervejas e tardes á toa,
agulhas que me lembram de tudo o que já devia ter feito.

Eu digo adeus a mais um velho amigo.
Sei que está ficando cada dia mais difícil.
E sei que ninguém quer me ferir, mas posso ver em seus olhos.
Cada estado de espírito que já aconteceu na minha vida.
São várias pequenas mortes, como posso deixar passar ?

Eu lembro como enfrentávamos qualquer coisa,
era um dia depois do outro e no final teríamos dado um jeito.
Agora acordo de manhã e não vejo jeito nenhum.
Não há arrependimento,
apenas a sensação de que nada está indo no caminho certo.

Eu digo adeus aos velhos amigos,
os deixo sumir no tempo

e não faz sentido ficar caçando o que não vai mais voltar

procurando respostas entre vagas imagens e lembranças.

pensando que sei mais do que realmente sei,

que vou conseguir entender algo a mais

porque é que eu não goste mais de vocês ou esteja cansado
do que quer que seja.
Se eu ao menos pudesse trazer vocês comigo
Se ao menos pudesse esconder essa tristeza.





Postado em as coisas em Novembro 3, 2009 por meuparedro




Já era tempo,
os dias brilham de novo.
O frio partiu levando os sabores amargos.
O sol está de volta como quem não se lembra,
colorindo desajeitadamente o meu rosto.
Andar leve pelas coisas, retomar a vontade das descobertas.
O encontro de daqui a pouco, a surpresa esperando na esquina.
Recomeçar sempre e mais uma vez, ansiando por construir.
Porque, se não for de tirar o fôlego, não será nada.





Postado em as coisas, idílios em Outubro 27, 2009 por meuparedro




    Vem comigo ?

Por estradas antigas, longe de todo esse igual.
O horizonte dourado, o sol tingindo as montanhas.
Então você poderá contar nosso segredo ao vento
e guardar contigo cada instante.
Não haverá nada entre nós além do ar que respiramos.
Nada nos impede de construir nosso castelo nas nuvens
e sentar na soleira da torre ouvindo um velho blues.
Podemos andar sem relógios, confundindo mapas, piras e sonhos.
Ás vezes nossos segredos são tudo o que temos;
pequenos tesouros que precisamos defender.
Ás vezes o ar em volta de nós é rarefeito
e é melhor tirar os agasalhos e se deixar mergulhar.
Não importa tanto, ainda temos tanto a perder.
Tudo, a não ser essa vida que é sim, linda.
Se você puder percebê-la,
quando quiser percebê-la.






Postado em as coisas em Outubro 20, 2009 por meuparedro




Os anos escoam e não há como esconder
eu sinto falta dos ideais e das promessas
as imagens de uma vida em chamas
tudo aquilo que quis no início.

Me pego olhando para o passado
e fico tentando descobrir onde meus começos me levaram.
É como se eu navegasse há muito num lago de tempo
e só agora percebo que, do barco, só restam lembranças.

Os rostos foram ficando para trás.
Aqueles planos ainda existem,
mas ameaçam desabar sobre si mesmos.
Eu acordo de manhã e ele está sempre lá,
o menino que pergunta o que é que a vida vai ser.

A procura, os objetivos dos quais mal me recordo.
Aquilo que ainda resta viver.
É fácil culpar o tempo que levou para chegar até aqui.
Aqueles que me atrasaram, os freios que encontrei no caminho.

Quero parar a roda-viva, dizer a todos que parti
para encontrar alguém perdido há muito
cuja presença quero demais agora
para me ajudar a seguir adiante.





Postado em as coisas, tempestade em Outubro 14, 2009 por meuparedro





O inverno terminou e os dias têm uma beleza estranha.
Eu tento lembrar como é estar quieto por dentro,
mas cada hora do dia ameaça tempestade.

Você vai em frente e deixa que o tempo decida.
Chove lá fora e guarda-chuvas estão difíceis de encontrar.
As horas parecem á espera…todo mundo conhece este momento.

As distâncias entre nós, eu não as compreendo.
Passo meus dias tentando descobrir por quê.
O inverno terminou e há um sentido nas coisas, todo mundo percebe.
Todo mundo, a não ser eu.





Postado em as coisas em Outubro 7, 2009 por meuparedro




Ás vezes acontece,
não dá vontade de continuar.
Essa normalidade não combina com o que te vai por dentro.
Você procura se manter fiel ao que acredita
mas sente este vazio o tempo todo.
Gostaria de encontrar alguém louco o suficiente
para dar sentido a tudo isso,
mas não há ninguém disposto a interromper o que está fazendo.
Você não consegue decidir o caminho a seguir
e devagar vai cavando seu próprio buraco.
Sabe que há algo mais, mas não consegue dizer o que é.
Estão vendendo todas as tuas certezas
e o pouco que sobrou não basta.
Você já ouviu tudo isso antes.
A vida perdendo a graça, estranho estar acontecendo contigo.
É como um filme ruim.
Caindo, indo parar cada vez mais longe do começo.

Você tenta dormir através dos sons da cidade.
Ao longe, telefones tocam interminavelmente.
Espera sonhar com lugares distantes
onde nada disso consiga chegar.
Voar por sobre a tempestade
e caminhar descalço
por areias brancas.





Postado em idílios em Setembro 30, 2009 por meuparedro




Azuis e cinzas precipitavam-se na tarde de inverno.
Mar e música, tempo de festa na velha cidade.
Aromas delícias na confusão das barracas.
A noite caiu e para nós foi o vinho.

O mundo rodou sem controle,
por um momento fomos tudo o que queríamos.
De mãos dadas flutuando na névoa escarlate.
Brindamos devaneios e sorrimos com nossos sorrisos.

As horas boas deviam ser todas assim.
Como se pudesse ser para sempre, como se fosse.





Postado em as coisas em Setembro 23, 2009 por meuparedro




E então percebi que meus passos falhavam
tropeçando no vazio
abaixo das necessidades mais mesquinhas da rotina
simplesmente irrelevantes
perseverei, tentei correr
percorri ruas esburacadas, procurei por sinais
que indicassem alguma direção
e a noite se recusou a revelar
qualquer coisa que eu já não conhecesse
desse cenário envelhecido
de esquinas e calçadas que ainda amo
mas já não sei se posso
acreditar.





Postado em as coisas em Setembro 16, 2009 por meuparedro




O ar vazio do inverno.
As ruas pesadas, o desconforto em todas as coisas.
Em casa o gorgolejar da família levando a rotina, as cretinices na TV.
Os cheiros da cozinha e o ritmo do sistema.
Os símbolos da autoridade, esses calhamaços de leis e regras
que me atingiam toda manhã ao chegar na escola.
Por que só eu ?
O que eu tinha de errado ?
Os heróis e os ninguéns,
o primeiro amor da minha vida.
Quando beijar, quando deixar quieto, como se manter fora da confusão.
Eu nunca fui bom nisso.
Eu estava arrepiado a maior parte do tempo.
Não sabia se era medo, doença, aversão.
Eu nunca superei nada disso.
Eu apenas me acostumei.





Postado em idílios, tempestade em Setembro 9, 2009 por meuparedro




Trilhar caminhos de um outro mundo sempre me deixa anestesiado. Quando termina um dia de novidades, tudo é perfeito por algumas horas e ás vezes não consigo evitar estes pensamentos, como seria se as coisas pudessem convergir; se me fosse pedido aquilo que posso dar e me dado aquilo de que preciso. Se o que eu tenho e o que você tem pudesse ser aquilo que somos capazes de dividir.
Eu sei que já não existem guerras, apenas essas dúvidas no ar.
A inquietação do que ainda não vivi, o calor de tudo o que tenho agora.
Você, a quem não sei renunciar.
Ah, as incertezas do sentimento.
Dói, mas arrependimento nunca foi uma opção.