Postado em as coisas em fevereiro 8, 2010 por meuparedro






Como foi que nos ocultamos
sob essa nuvem de tempo ?

Aqui venta muito, e eu fico pensando nas coisas.

À tarde o vento leva embora os longos fios de areia.
Vão se perder no mar, é como se as dunas sangrassem.

Um sangue caramelo, de hábitos pacientes.

A casinha das dunas,
barco amarrotado cruzando a madrugada.

Palavras não combinam com tanta areia.
Ás vezes dá vontade de parar.





Postado em as coisas em fevereiro 1, 2010 por meuparedro



Uma dança que praticamos em silêncio

na intimidade da manhã.

Você na sua vida, eu na minha.

Emoldurados pelo acaso,

desenhando no ar e nos dias.

Sem pensar em ir mais ou menos longe;

apenas em ir.

Visualizando além dos planos

até onde as vontades definem o tempo.







Postado em tempestade em janeiro 26, 2010 por meuparedro


Vertigens diárias,
noites sem dormir
pensamentos contraditórios
precisamos cair sempre ?
As coisas acontecendo lá fora,
o mundo que vivíamos não faz tanto tempo
não faz agora o menor sentido
esses dias todos pensando,
precisa ser assim ?

Fragilizados um pelo outro
deixando de ser quem gostamos de ser
tentando de toda forma descobrir
se precisa doer tanto
se precisamos cair sempre
Precisamos cair sempre ?

Estranhos na multidão,
pessoas que não se importam
resta agora esquecer ?
Sem você por perto
parece tão absurdo
que precise doer tanto
que precisemos cair sempre.




Postado em as coisas, idílios em janeiro 20, 2010 por meuparedro




Minha querida, não esqueça os segredos que desvendamos.
Para tantos deles, é mais fácil apenas sobreviver.
Seus sorrisos são tortos, suas palavras frias.
Sua dor é genérica, eles dependem de remédios.
O dia é curto demais para lembrá-los daquilo que já foram.
A noite é imensa.






Postado em Referências em janeiro 12, 2010 por meuparedro





Castigar os olhos fitando isso que anda no céu
e aceita astuciosamente seu nome de nuvem,
sua resposta catalogada na memória.
Não pense que o telefone vai lhe dar os números
que procura. Por que haveria de dá-los ?
Virá somente o que você tem preparado e resolvido,
o triste reflexo de sua esperança,
esse macaco que se coça em cima de uma mesa
e treme de frio.
Quebre a cabeça desse macaco,
corra do centro em direção á parede e abra caminho.
Oh, como cantam no andar de cima !
Há um andar de cima nesta casa, com outras pessoas.
Há um andar de cima com pessoas que não percebem
seu andar de baixo, e estamos todos dentro do tijolo de cristal.

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Como los juegos al llanto
Como la sombra a la columna
El perfume dibuja el jasmin
El amante precede el amor
Como la caricia & la mano,
el amor sobrevive el amante
Pero inevitablemente
aunque no haya huella
ni pressagio

Julio Florencio Cortázar




Postado em idílios em janeiro 6, 2010 por meuparedro




No alto da montanha eu me sinto no topo do mundo.
Incomensuravelmente sozinho.
Incapaz de respirar, espreitando por entre as nuvens.
Pensando se a vida lá embaixo ainda vai ser a mesma.

No alto de uma tarde perfeita eu vejo o sol se pôr em seus olhos.
O instante em que nos desgrudamos parece a senha
para que algo saia de controle.
Eu não quero pensar, não quero que o dia termine.
A nossa história não tem sobrenome
nem registro geral.
Apenas vai acontecendo
e nunca sabemos dizer se importa
que importe tanto.






Postado em as coisas em dezembro 30, 2009 por meuparedro




Os anos vão se transformando em Anos
e aprendemos a contar o tempo em ritmos particulares e solitários
que pouco tem a ver com números, julgamentos
ou a memória de imagens incertas
do que quase não lembramos de ter sentido.





Postado em tempestade em dezembro 22, 2009 por meuparedro




Algumas noites são puro arquejo.
Emaranhados de minutos em que persigo pegadas invisíveis.
Argumentos se retorcendo até o infinito.
Verdades opostas e incomunicáveis.
Madrugadas tristes
respirando mal,
ouvindo meu coração latir
e sentindo coisas
imbecis
(por você).






Postado em as coisas em dezembro 15, 2009 por meuparedro



Traga para mim
as palavras que eu costumava dizer.
Sussurre-as docemente.
Diga-me sol e sombras, florestas e montanhas.
Deixe sua voz penetrar minhas lembranças.
Traga meus sonhos de volta, da solidão onde se esconderam.
Deixe que os minutos e as horas
mostrem á minha mente as velhas idéias
que não sei para onde foram
enquanto eu fazia tudo errado.
Traga meus sonhos de volta
porque agora sei que não podia tê-los deixados sozinhos
por um dia que fosse.
Eu preciso aprender de novo quem sou,
o que tenho de bom.
Traga meus sonhos de volta.






Postado em tempestade em dezembro 8, 2009 por meuparedro



Na minha montanha eu tenho um monte de coisas
como guitarras e foguetes e coisas
e um punhado de cartas tristes, e você.
eu sempre fui assim, guardando coisas na minha montanha
como livros, garrafas e coisas
e uma tarde de domingo, e você.
na minha montanha eu tenho perdido tanto tempo
atrás de sonhos que passam e vão e não sei se voltam mais.
na minha montanha eu tenho um monte de coisas.
Na parede, a fotografia de como eu era.