Arquivo para julho, 2011

Posted in as coisas, tempestade on julho 26, 2011 by meuparedro




Foi uma tarde triste. Domingo, o vento, sentei no banco da praça e comecei a pensar nas coisas. A noite em que te conheci, tudo o que aconteceu com a gente. Como o amor pode ser vulnerável. Pensei nas cicatrizes que deixa e não soube dizer se vale mesmo a pena. E pensei nas velhas amizades, como vêm e vão e são sensíveis aos detalhes mais bobos. Tive vontades estranhas, um impulso de pegar e ir embora. E ventava, inverno ainda em Curitiba. Eu pensei em todas as viagens que fiz e como vim acabar no mesmo lugar. E pareceu bem fútil eu ali sentado me levando a sério. Foi uma tarde triste. As pessoas passavam e mal olhavam para os lados, ocupadas em fugir do vento e do tédio do domingo. Eu era um fantasma sentado na praça, outra alma quieta num dia tão igual. O dia morreu cansado do peso das gentes que passavam de um lado para o outro, um rio inexpressivo. De volta para seus fracassos, sua rotina. Tratar do jantar necessário antes de finalmente dormir, de novo.


Não se preocupa, tá ? Vem aqui quando puder.
Eu tava só sentado no banco da praça pensando nas coisas.




Posted in Referências on julho 19, 2011 by meuparedro





Bebe comigo.
Lancinante, incontido, fruto de febril gestação.
Como flor que nasce em terreno infame, repleta de seiva,
Bebe comigo.
Cada hora de abraço e contato fraterno, o cansaço mortal,
a dor feita em fiapos entre mãos nervosas que tanto desejam e
Bebe comigo.
Anseios mudos temendo emergir,
sentimentos velados se equilibrando
á beira da total solidão,
Bebe comigo.
Para que a vida não nos afaste demais,
para que teu sorriso sobreviva ás ameaças
cada gota sorvida me transportando por dentro de ti
para sempre tão palpáveis e reais.
Cada frase um código antigo cruzando segredos,
essa trilha que haverá de provar a verdade,
Bebe comigo.



Parceria com Doca Soares, o virador de páginas.


Posted in as coisas on julho 11, 2011 by meuparedro





As noites são frias na montanha que é o mundo.
Sozinho na varanda, eu penso em vocês.
Não é fácil visualizar esta outra realidade.
Caleidoscópios de luzes nas janelas, vidas aos milhares,
os prédios da cidade.
Onde quem sabe estejam vocês também lembrando
daquilo que fomos e como sabíamos tanto
e não tínhamos medo de viver
aqueles tempos de descobertas pardas e aventuras fugazes.
Sobrevivências geniais para contar nas noites de boteco.
Pensando sempre no que ia ser depois.
E o depois não devia ser assim, tão apenas.
Nós que pulávamos abismos, agora os cultivamos diligentes
e sentimos que no fundo a imobilidade continua,
que estamos como que esperando coisas já acontecidas,
ou que tudo o que pode acontecer é talvez outra coisa ou nada,
como nos sonhos.
Mas nunca estivemos tão acordados.
No entardecer nublado, a maré baixa das amizades que se esfiapam,
que precisam de novidades e novas caixas de cerveja para resistir.



Posted in tempestade on julho 4, 2011 by meuparedro




Se houvesse alguma forma
de guardar os instantes que definem a vida da gente
tantas noites em que simplemente saíamos
e colecionávamos sensações.
Quando sorríamos, éramos sinceros.
Os ritmos da semana,
cada mudança que criávamos.
O tempo perdia a fleuma quando estávamos juntos.
Porque quando eu lembro de toda essa parte da minha vida,
eu lembro de você.
Estávamos realmente perto da verdade ?
Não dá prá evitar, eu vivo no mesmo mundo
que você.
E agora, alguém é capaz de dizer
que nossa história acabou ?
fizemos sentido em algum momento ?
Estamos partindo
ou chegando ?