Arquivo para setembro, 2010

Posted in tempestade on setembro 28, 2010 by meuparedro




Continua chovendo sobre esse cara estranho,
esse alguém que anda por aí.
Sobre os erros desse cara quieto que pensava que ia no caminho.
O seu caminho, mas ele já não sabe dizer.
E ele vai
e anda pelas calçadas altas da grande cidade repleta de palavras
e cacos de uma ou outra manhã feliz.
Ruínas de sorrisos
Lembranças velhas com rostos jovens
e nomes que ele não pode esquecer
e os pronuncia baixinho
e os engole com as gotas
geladas.





Posted in as coisas, tempestade on setembro 20, 2010 by meuparedro




Dirigindo prá casa
reflexos de velhos desejos na cabeça
vontades agora impossíveis
as gotas no pára-brisa quebrando o cadeado das minhas memórias
catedrais de imagens
profundezas disputando espaço
resgatando lembranças onde tempestades vão e vão
encarando a lua nascente
como os dentes na boca de um tubarão.





Posted in as coisas on setembro 13, 2010 by meuparedro




Uma noite, depois de ter passado a quinta, sexta, sábado, segunda, terça, quarta num movimento eficientemente constante, registrando fichas arquivando chamadas remetendo juros ouvindo impropérios organizando equipes atendendo mensagens debatendo posições corrigindo processos digitando ameaças despachando telefones redigindo cartas
[Prezado Senhor
fica então acordado que tudo o que pode acontecer acontece;
que o que não acontece, pode não acontecer.
Que tudo o que pode mudar, muda.
E, outrossim, o que não muda, não pode.
Atenciosamente]
assassinando termos consultando fórmulas contabilizando valores tomando medidas
idem providências idem cafés lambendo dinheiro comendo fogo urinando ácidos;
peguei o carro e fui prá casa.
Quando cheguei, todo mundo se divertia com suas mesmas coisas
e logo pensei que nada havia acontecido.
E no decorrer da noite, depois de mais uma vez simplesmente não entender,
tive a certeza de que nada aconteceu mesmo.






Posted in Referências on setembro 7, 2010 by meuparedro





Minha especialidade é viver.
Era a legenda de um homem
(que não tinha renda porque não estava à venda).






( Edward Estlin Cummings )