Arquivo para maio, 2010

Posted in as coisas on maio 30, 2010 by meuparedro





O Tempo
seus longos filamentos
povoando o horizonte
este grande mar revolto
que não pode ser vencido.

Lanternas
em meio ás quais eu mergulho de olhos abertos
esperando, como criança alucinada
que não se apaguem tão cedo.

Encruzilhadas
repletas destes pequenos seres
velozes, cheios de fúria
que se aproximam sorridentes
atrás de objetivos insondáveis
e de repente se vão
e submergem como sombras em um lago.

Madrugadas
com seus pequenos,
ridículos sonhos
que nunca levam a lugar algum.





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Posted in as coisas, tempestade on maio 24, 2010 by meuparedro



Tremulam as colinas sob o peso do inverno.
Amarelas, brancas, marrons.
Perseverando em seu ciclo de mudanças.

Eu não sei explicar o que estive fazendo,
indo e voltando como um imbecil.
Você veio comigo até aqui e sabe como me sinto.
Não somos mais os mesmos, a vida está mudando
e não percebemos porque não quisemos parar para pensar.

Ás vezes eu quase percebo,
chego perto de entender e sei que não tem volta.
Já não temos o que sonhar, somos reais demais.
Tanta coisa passou, caímos na rotina e as cores foram sumindo.
Você seria capaz de me dizer que continua querendo aquilo tudo ?
Ainda vê as coisas daquela forma ?

Eu fico relembrando imagens do passado,
visões de sombras que brilhavam.
Quando quis voltar, descobri que tudo aquilo
se perdeu nos desvãos do caminho.
É cruel, de que valem sonhos usados ?
O tempo corre lancinante e não posso mais, não sei o que dizer.

Por isso, sente-se a meu lado mais esta vez
e compartilhe comigo a beleza do que pudemos ser.
Nossas respirações flutuam no ar gelado
desenhando signos de mudança.




Posted in idílios on maio 17, 2010 by meuparedro




Um daqueles dias em que o céu dói nos olhos da gente.

A luz passava em ondas através do vestido que ela usava.

Ela flutuava: etérea, lancinante.

Uma imagem com sabor de ameixas e vinho seco.

Tão fugaz que minha lembrança se perdeu no tempo

fundindo em silêncio alegria e maldição.





Posted in tempestade on maio 10, 2010 by meuparedro



Não importa o quanto a gente queira, pense, goste;
acaba tudo isso espatifado como um beija-flor na janela.
Sentimentos que são como livros que esquecemos de devolver, desaparecem perdidos entre as prateleiras.
Ás vezes a vida foge do controle e seria bobo querer explicar.
São poucos os que percebem que nessas coisas somos tão iguais,
só trocamos de posição todo o tempo.
E por causa das noites de insônia em vão,
abandonamos a vontade de descobrir, o deslize no gelo fino.

Uma pena.




Posted in as coisas on maio 3, 2010 by meuparedro



Termina o verão, as noites vão ficando frias. Crianças crescem, velhos amigos parecem realmente velhos. Pouca coisa acontece, vou vivendo tardes brancas e noites de trabalho. É a realidade escondida na palma da minha mão fechada, solução egoísta mas eficaz contra aquilo que dói. Mas hoje eu até que não vou mal, novas lembranças caindo no redemoinho das coisas, premissas para continuar vivendo; perspectivas. Uma placidez que me permite desmoronar um ou outro castelinho de areia que andei construindo. Não iriam me abrigar mesmo. Vou criando um novo ritmo, mais paciente. Aprendendo a congelar o momento e gostar dele. Alerta, mas relativamente calmo.