Arquivo para janeiro, 2010

Posted in tempestade on janeiro 26, 2010 by meuparedro


Vertigens diárias,
noites sem dormir
pensamentos contraditórios
precisamos cair sempre ?
As coisas acontecendo lá fora,
o mundo que vivíamos não faz tanto tempo
não faz agora o menor sentido
esses dias todos pensando,
precisa ser assim ?

Fragilizados um pelo outro
deixando de ser quem gostamos de ser
tentando de toda forma descobrir
se precisa doer tanto
se precisamos cair sempre
Precisamos cair sempre ?

Estranhos na multidão,
pessoas que não se importam
resta agora esquecer ?
Sem você por perto
parece tão absurdo
que precise doer tanto
que precisemos cair sempre.




Posted in as coisas, idílios on janeiro 20, 2010 by meuparedro




Minha querida, não esqueça os segredos que desvendamos.
Para tantos deles, é mais fácil apenas sobreviver.
Seus sorrisos são tortos, suas palavras frias.
Sua dor é genérica, eles dependem de remédios.
O dia é curto demais para lembrá-los daquilo que já foram.
A noite é imensa.






Posted in Referências on janeiro 12, 2010 by meuparedro





Castigar os olhos fitando isso que anda no céu
e aceita astuciosamente seu nome de nuvem,
sua resposta catalogada na memória.
Não pense que o telefone vai lhe dar os números
que procura. Por que haveria de dá-los ?
Virá somente o que você tem preparado e resolvido,
o triste reflexo de sua esperança,
esse macaco que se coça em cima de uma mesa
e treme de frio.
Quebre a cabeça desse macaco,
corra do centro em direção á parede e abra caminho.
Oh, como cantam no andar de cima !
Há um andar de cima nesta casa, com outras pessoas.
Há um andar de cima com pessoas que não percebem
seu andar de baixo, e estamos todos dentro do tijolo de cristal.

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Como los juegos al llanto
Como la sombra a la columna
El perfume dibuja el jasmin
El amante precede el amor
Como la caricia & la mano,
el amor sobrevive el amante
Pero inevitablemente
aunque no haya huella
ni pressagio

Julio Florencio Cortázar




Posted in idílios on janeiro 6, 2010 by meuparedro




No alto da montanha eu me sinto no topo do mundo.
Incomensuravelmente sozinho.
Incapaz de respirar, espreitando por entre as nuvens.
Pensando se a vida lá embaixo ainda vai ser a mesma.

No alto de uma tarde perfeita eu vejo o sol se pôr em seus olhos.
O instante em que nos desgrudamos parece a senha
para que algo saia de controle.
Eu não quero pensar, não quero que o dia termine.
A nossa história não tem sobrenome
nem registro geral.
Apenas vai acontecendo
e nunca sabemos dizer se importa
que importe tanto.