Archive for the tempestade Category

Posted in tempestade on setembro 11, 2012 by meuparedro


e então eu me apaixonei por ela
simples assim
sem mistério ou sofisticação
e simplesmente deixei escapar isto
que acontece nessa hora, que é doer
eu, paixão, ela
a reação foi péssima
entre dias confusos eu vi a mim mesmo desbotando
diante de seus olhos
diminuído
apaixonado
nunca tinha notado como simples pode dizer pequeno
bisonhice minha pensar que havia de ser filosófico
menos complicado significando mais bonito
na realidade bobo apenas
mas de alguma forma ainda éramos eu e ela
e assim vivemos todas as coisas que aconteceram depois
doendo
uma perda irreparável escondida embaixo de nossas coisas
eu dor e ela irritada
é necessário sobreviver e levei todo esse tempo me perguntando como
impossível existir isso que sou eu e apaixonado por uma impossibilidade
a solução, fabricar outra pessoa, não-simples, não-paixão
capaz de viver sem ela
é o que busco agora
triste, porque sei que vou ser pior
que a perda foi mesmo sem remédio
curiosa é a verdade que só agora sou capaz de perceber
as pessoas são assim
re-fabricadas, recicladas de si mesmas a cada derrota
cada vez piores
abstraindo maturidade experiência e palavras esparadrapos

para explicar o simples menos

o menos simples
a perda necessária dentro deste processo de seguir vivendo
que eu quis negar
talvez todo mundo tenha tentado alguma vez antes de desistir

e seguir adiante.






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Posted in tempestade on agosto 13, 2012 by meuparedro





O tempo passado entre as estações

é uma massa sólida

não desvanesce

as coisas que eu queria

que precisava saber

não significam mais nada

eu vivo o momento errado

realizo meus movimentos de forma caótica

como as cores do entardecer.




Posted in tempestade on julho 30, 2012 by meuparedro





O que acontece com a gente ?
Vivemos sob fogo cruzado, isso é claro.
Eu sigo tentando, mas já não acho que possa entender.
Sinto muito que você esteja passando por tudo isto.
Você deve ter se assustado, com toda a razão.
Quem sou eu para negar este momento
ou questionar o que quer que seja ?
Acho que tornei as coisas ainda piores.
Existe uma cura e começa com uma longa inspiração,
mas o ar nunca é limpo o bastante.
Há um defeito no meio das noites,
um sinal bizarro por sobre nossas cabeças.
É um longo inverno e nada está certo.
Não pense que vai deixar de acontecer
apenas porque não aconteceu ainda.






Posted in tempestade on maio 14, 2012 by meuparedro



Manto de nuvens
sobre o azul
incapaz de esconder
os fragmentos dessa história
batalhas mudanças palavras inconvenientes
tudo aquilo que ainda tento entender
as razões a possível realidade
embrulhar as lembranças nalguma espécie de sentido
e eu sei
que as palavras nunca tiveram a obrigação de explicar
o mistério daquilo que fomos
tão inútil vasculhar
os velhos motivos para a dor
momentos em aberto
ainda imagino o que estávamos pensando
quando começamos esse absurdo
olhar na cara da lua e enfrentar meus medos
perguntar se há algo que ainda leve
ao perdão
para cada volta e tentativa
acidentes que custaram
novas camadas de angústia
fantasmas dessa esperança de que o final
de alguma forma
ainda teria que ser bom.





Posted in tempestade on abril 17, 2012 by meuparedro





Lembro bem da tua voz
tão leve.
A harmonia do instante perfeito.
É outono e o idílio acabou.
Incapaz de desistir, me habituei a correr sozinho.
O capim cresce alto, a relva dourada ondula e sussurra.
O dia nasce como ferida que abre novamente.
Em silêncio, a criação parece espantada por ainda existir.
Como planta que jaz ao sol sem refresco,
eu me confundo com a paisagem e
perco o meu tempo.





Posted in idílios, tempestade on abril 4, 2012 by meuparedro





Estávamos lá,
tínhamos aquilo.
Quisemos tornar realidade.

Mas nossos caminhos não harmonizavam,
dificilmente iríamos para o mesmo lado.

Parecia lógico desistir,
mas eu não quis.
Não era a maneira de pensar a vida.
Você foi comigo, e andamos pelas noites.
Cada movimento uma promessa.
Não sabíamos se eram apenas momentos mágicos onde
tudo se encaixava,
ou se a vida poderia realmente
ser assim.

Mas as coisas nunca quiseram ser simples.
Mundos famintos exigindo cada minuto do nosso tempo.
Visões, prioridades.
A ponte ruiu.

Agora
o tempo vai passando
e ás vezes parece tão errado
ter aberto mão
em nome da facilidade dos dias.

Poderíamos ter ido longe
mas ficamos assim
agradecendo ás estrelas embaçadas
por tudo o que se tornou menos complicado.

Entende o que estou tentando te dizer ?
Aquela dor agora é outra coisa.




Posted in tempestade on janeiro 23, 2012 by meuparedro




Se eu pudesse explicar
(como tudo só deixa mais triste quando já estou triste)
as coisas que podem ser ditas parecem papo de bêbado agora.
(deitado na cama, as luzes girando)
Perdido em minhas próprias palavras
(levante-se, abra a cortina. Veja a chuva caindo)
Você pode estar com alguém que se sente sozinho também
(ás vezes é difícil perceber)
e que está tentando chegar até você.
(as palavras são tão ineficientes)
Quando o seu próprio vazio influencia tudo o que te cerca,
chega a hora em que você não tem mais certeza
do porquê de continuar tentando.

Eu já passei deste ponto
e não suporto mais andar em círculos;
essas espirais que só levam ao fim.
(você sabe como é inútil, quando um dos lados não acredita)
A voz dizendo “você vai permanecer nisto
até encontrar algum tipo de identificação”

Bem, eu te vi por entre as risadas e gritos,
você corria atrás das mesmas velhas coisas
e enquanto todos disputavam um instante do teu sorriso cansado,
pensei em todos esses anos
que passei procurando pelo amor
nos teus olhos.

Agora estou aqui pensando no que poderia ter ficado
(algo que você pudesse reconhecer)
sabendo que meus sentimentos podem te afastar.
Ninguém mais fala sobre sentimentos mesmo,
sem vesti-los com ilusões ou humor.
Acho mesmo que seria dolorido demais de qualquer outra forma.



Essa chuva faz todo o sentido.
Ponteiros do relógio que se arrastam
camadas repetidas do dia
componentes de um grande buraco.

O silêncio depois que a porta bate
(lá embaixo estão as coisas do dia, a paz da cozinha)
preparações para mais um dia
(um a menos, outro a mais, todos esses dias)
em que me empenho em viver e construir e alcançar o possível
e luto e erro e quem sabe
consigo esconder a lembrança
dessas coisas
que estiveram evidentes desde o início.