Arquivo para novembro, 2009

Posted in as coisas, tempestade on novembro 23, 2009 by meuparedro




O sol passeia imponente no céu,
ás vezes olha aqui para baixo
e parece me acusar de absurdos celestes.
“Não tenho nada a esconder”, eu grito a ele.
Mas me sinto melhor oculto entre as árvores.

.

Eu ando meio do avêsso, uma cidade vazia;
os olhos cheios de fantasmas.
Certezas enferrujadas e aranhas de esperança.
Memórias rastejam implacáveis pelas minhas noites.

.

Novos rostos e estranhos lugares,
um vento forte, o céu tumultuoso, as dúvidas; eu e você.
Quando os dias gritam que é preciso saber
o que vai ser a partir de agora;
se nada mais é como antes, o que eu me tornei ?

.

Eu escalo a montanha dos destroços
de tudo o que já destruí nesta vida
Observo e lua cheia
e lembro de como eram as coisas.

.

Ás vezes você ganha, ás vezes perde.
Ás vezes você é a tristeza de alguém.
Sempre se pode fugir, dizer que é a vida.
Fechar os olhos, fingir surpresa.
Raiva e fuga, todo dia.
E nada é como poderia ser, essa sensação de perda.
Mas está acontecendo, é preciso lidar com isso.






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Posted in idílios, tempestade on novembro 17, 2009 by meuparedro



Momentos que criamos
tão claros
envolvidos em uma bolha, fora das coisas
onde soubemos realmente viver
e estivemos tão bem.
Mas entre nós e o mundo
esse estranho silêncio
que flui como as chuvas de novembro
e sempre o perigo
porque ás vezes as chuvas se tornam rios.

Eu saio errando pelas ruas
e preciso que você me acalme, esteja comigo.
Viajando pelas horas sem saber para onde
me agarrando a uma idéia
do que devia ser.

Os dias se embolam e caem uns por cima dos outros
e nada, nada nesse mundo quer mudar.
Eu só posso dizer que é uma hora estranha da vida;
não existem mais certezas em lugar algum.





Posted in as coisas on novembro 9, 2009 by meuparedro




Não é que eu não goste mais de vocês ou esteja cansado
do que quer que seja.
Nunca esqueci o que vivemos juntos.
É que, quando me olho no espelho,
fico pensando que preciso fazer alguma coisa com a minha vida.
Tantos plantões e cervejas e tardes á toa,
agulhas que me lembram de tudo o que já devia ter feito.

Eu digo adeus a mais um velho amigo.
Sei que está ficando cada dia mais difícil.
E sei que ninguém quer me ferir, mas posso ver em seus olhos.
Cada estado de espírito que já aconteceu na minha vida.
São várias pequenas mortes, como posso deixar passar ?

Eu lembro como enfrentávamos qualquer coisa,
era um dia depois do outro e no final teríamos dado um jeito.
Agora acordo de manhã e não vejo jeito nenhum.
Não há arrependimento,
apenas a sensação de que nada está indo no caminho certo.

Eu digo adeus aos velhos amigos,
os deixo sumir no tempo

e não faz sentido ficar caçando o que não vai mais voltar

procurando respostas entre vagas imagens e lembranças.

pensando que sei mais do que realmente sei,

que vou conseguir entender algo a mais

porque é que eu não goste mais de vocês ou esteja cansado
do que quer que seja.
Se eu ao menos pudesse trazer vocês comigo
Se ao menos pudesse esconder essa tristeza.





Posted in as coisas on novembro 3, 2009 by meuparedro




Já era tempo,
os dias brilham de novo.
O frio partiu levando os sabores amargos.
O sol está de volta como quem não se lembra,
colorindo desajeitadamente o meu rosto.
Andar leve pelas coisas, retomar a vontade das descobertas.
O encontro de daqui a pouco, a surpresa esperando na esquina.
Recomeçar sempre e mais uma vez, ansiando por construir.
Porque, se não for de tirar o fôlego, não será nada.