Arquivo para abril, 2010

Posted in as coisas on abril 26, 2010 by meuparedro




É tempo de manhãs frias e cores antigas.
Outono, partículas douradas no ar.
O renascimento do silêncio
como caravana que parte no amanhecer do nada.
As horas do dia vem e vão
em tijolos compactos de névoa.
Geométricas, calmas; quase imutáveis.
Em mim, a certeza de que nada é para agora
e o longo horizonte será conquistado colina a colina,
na desordem das coisas
sob o sol.



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Posted in as coisas on abril 19, 2010 by meuparedro


Eu cruzo as calçadas altas da madrugada,
essa teia de horas onde não há uma porta aberta sequer
para justificar a existência da Cidade.

Por trás dos olhos das casas percebo rostos ansiosos;
o medo a dúvida a procura.
Quentes ares do Senhor Cidadão
precificados num silêncio de depósito.

Sobreviver na cidade é compartilhar o silêncio das pedras do calçamento,
e acreditar que o caminho possível
é tirar o melhor desses tempos escuros.





Posted in as coisas, tempestade on abril 12, 2010 by meuparedro



Pessoas vão passando.
Apressadas, caudalosas. Inigualáveis.
Minha vida, janela embaçada.
Eu quero tantas.
Ás vezes tudo vai bem e no minuto seguinte, é tão triste.
Eu páro e fico pensando se não seria hora.
Eu não sei onde estou.
Estórias vão acontecendo, mais e mais rápido.
Quando faz silêncio, eu as conto para mim mesmo.
Ás vezes elas me embalam.
As melhores costumam doer.
Eu páro e fico sentindo, é quase demais.
Eu não quero ir embora.
Eu vou embora, de novo.
Triste, tão triste.
Porque nada é suficiente.





Posted in idílios, Lilac on abril 5, 2010 by meuparedro





As estrelas esta noite estão sorrindo

e nos observam correr vagalumes

descabelados rindo e gritando

como se não existissem medos.

Entre as sombras das velhas árvores

sem fôlego voltamos à cabana

sorrindo de volta em gratidão

para cada estrela brilhante.