Arquivo para junho, 2011

Posted in as coisas, Lilac on junho 27, 2011 by meuparedro





Me diz,
tá difícil pensar direito.
Eu devo ir prá casa hoje, ou ficar aqui ?
Faz alguma coisa, acende a luz.
Isso.
Eu vou para a montanha hoje.
Não posso ficar aqui.
Eu preciso dormir.
Eu preciso acordar, de novo.
Não fecho meus olhos há tanto tempo.
Dormir.
“Nascer da cama e encontrar o sol”
Faz tanto tempo.



Posted in Lilac on junho 20, 2011 by meuparedro





Os portões da montanha abrem-se facilmente como a página do livro preferido. Uma vez lá dentro, meus olhos não precisam demorar-se em incertezas. As lembranças e a linguagem que criei para os momentos felizes são as coisas de cada dia.

Qual a necessidade de explicar ou fingir ser outro ?
Tudo ali me conhece e sabe de minhas preocupações e fraquezas.
Isso é o que pode acontecer de melhor – talvez o verdadeiro significado do paraíso: que não se espantem conosco nem nos exijam sucesso, mas simplesmente nos deixem entrar, como parte viva da Realidade.

Como as pedras na estrada, como as árvores.


Posted in as coisas, idílios on junho 13, 2011 by meuparedro



Dessas últimas viagens, o que vou lembrar mais é dos rostos
de vocês; rostos tão conhecidos que em um ou outro instante
eu pude ver como são de verdade
e tive certeza
e gostei tanto.

E agora este momento congelado na memória,
imagens ternas que a princípio voltariam à expressão normal,
aquela que eu me acostumei a ver em vocês.

Mas desta vez eu não quero.

Talvez seja o momento de começar a perder a lógica e reaprender
o lado da fantasia, da lembrança perfeita,
da imagem que vale mais que todos os quadros do mundo.




Posted in as coisas, tempestade on junho 6, 2011 by meuparedro





Vou aprendendo a suportar os golpes,
os olhares de acusação não me ferem mais.
Talvez pela primeira vez, tenho o suficiente.
Todo dia o desafio da sobrevivência,
o caminho é escuro e as direções imprecisas.
Esquecido nas profundezas,
eu procuro a saída entre velhos corredores.
O passado me fortalece, basta uma simples lembrança.
Seria fácil envergar a lâmina, dar fim à angústia;
mudaria alguma coisa ?
Mas é preciso ter fé.
Reunir a força; perdoar e esquecer.
Reverter o destino, deixar o poder surgir.
Tudo o que preciso é de um pouco mais de tempo.