Arquivo para janeiro, 2011

Posted in tempestade on janeiro 25, 2011 by meuparedro




E então você se encontra mais livre
do que queria realmente.
Nada interfere nos seus dias, o tempo é um caleidoscópio.
A beleza nas noites é apenas a das estrelas.
E aquela que você deixou para trás vai se embaçando no calendário.
As coisas que influíam tanto deixam de fazer sentido.
Tudo o que você realizou parece menor sob este silêncio.
Tão longe de tudo, de tudo aquilo.
Ninguém acompanha seus passos.
Ninguém percebe
que você se importa.




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Posted in idílios, tempestade on janeiro 18, 2011 by meuparedro





No meio da madrugada
te ouvi dizer baixinho
dentro de um sonho
“Não deixa a manhã me levar”.

Lá fora os pássaros amanheceram
piando num tom menor
como que tentando convencer a si mesmos
de que nada ruim iria acontecer.




Posted in tempestade on janeiro 11, 2011 by meuparedro



Numa dessas viagens,
ouvi falar de um homem que também tinha te amado
e de alguma forma, ainda se mantinha são;
tornou-se uma espécie de sábio.
Corri para a sua escola e fui entre todos o aluno mais dedicado.
Ele ensinava que a beleza do amor basta em si mesma
não importam os finais, dores ou circunstâncias.
E vivê-la vale mais que qualquer coisa no mundo.
Isto me pareceu bom.
Já conseguia esquecer por alguns dias,
olhar pela janela, curtir um dia depois do outro.
E bem quando me convencia de que suas palavras
faziam sentido, ele cortou os pulsos na banheira.
Seu corpo está enterrado no bosque do povoado
mas, nos corredores desertos da escola,
seu espírito continua a ensinar.




Posted in as coisas on janeiro 4, 2011 by meuparedro



    Há um lugar entre as dunas, bem longe daqui.
    Onde o horizonte tem curvas douradas de caramelo.
    É lá que nascem essas areias que viajam pelo mundo,
    mais antigas que números e horas e letras de fôrma.
    Uma vez eu fui capaz de queimar meus problemas ao sol,
    cristalizando desejos á beira do mar.
    Fora do gancho, longe da roda.
    Um sabor ligeiro de liberdade.
    Mas não era o momento, eu voltei para a cidade
    sem saber ainda o segredo
    de ser um vento,
    ser um sambaqui.
    Desde então meus olhos não evitam se perder na distância
    e eu tropeço nas calçadas deste tabuleiro
    onde alugo o meu tempo
    aprendendo, planejando os caminhos que levam ao sol
    e o silêncio de uma lembrança azul
    que está lá e faz parte de tudo
    o que ainda vai ser.