Arquivo para dezembro, 2008

Posted in idílios, tempestade on dezembro 27, 2008 by meuparedro



Lembranças são estilhaços de tempo

tremulando imagens que quase não quero ver.

Seu rosto invade as fronteiras de meus olhos

e desenha estranhas figuras na minha mente.

Quem criou a neblina criou o seu sorriso

e quem criou o arco-íris, criou você.

A memória, a neblina o arco-íris.

O cristal e a chuva.

Tudo isso nunca deixou de ser você.



Posted in Lilac on dezembro 19, 2008 by meuparedro





Eu escorrego entre pedras e arbustos em mais uma caminhada pela floresta.

Lá em cima a tarde se derrete, é o fim de mais um dia.

Não me canso de repetir baixinho todos os seus nomes.

Não sei por onde você anda, mas ainda sou o mesmo e estou sob o seu encanto.

Eu não fico sonhando com imagens antigas, não canto velhos blues.

Não há flecha alguma trespassando meu coração.

É apenas esta noção de alguma coisa boa

que poderia estar acontecendo, que ainda vai acontecer.



Posted in tempestade on dezembro 11, 2008 by meuparedro





Quando passei em frente à tua casa, amanhecia.

O céu era vermelho sangue infinito.

Você não parecia estar lá.

Tuas janelas abertas, cortinas mistérios.

Estive todo o dia caminhando sozinho.

No parque colhi uma flor vermelha.

Não sei muito de flores.

Haviam gotas de chuva em cada pétala.

À tarde descobri estar cansado de saber e ainda assim.

Voltei a passar pela tua casa, o céu sem cores.

Dessa vez até te vi, sombra de movimento entre labirintos de luz.

Madrugada, sento eu e a folha branca de papel.

E uma pétala vermelha que não entende nada.


Posted in tempestade on dezembro 3, 2008 by meuparedro


Eu te desejo

Ainda agora, e como nunca.

O tempo faz de conta que está passando.

Mas aqui ainda dói.

(alguns dias estas lembranças parecem ter ficado para trás)

Ainda é o vazio.

(mas estão sempre lá, espreitando)

Como garras

(ferindo, fazendo com que eu te deseje e nunca páre)

lancinantes.

(não acredite, não alimente esperanças)

Jamais descansam.

(você ajuda, você não desaparece realmente)

Sabem sempre onde eu estou.

(a sensação de não ter nada )

Eu ainda tento

(posso ouvir mesmo agora, se fechar meus olhos )

O que vai acontecer agora ?

(o medo de jamais sentir de novo )

É como se ninguém no mundo pudesse te querer como eu.

Como se ninguém no mundo pudesse ser como você.


Posted in Lilac on dezembro 2, 2008 by meuparedro

edit-casa


Surge a primeira estrela.
O vento rege as árvores em uma canção ancestral.
Pensamentos pairam no ar e esperam a permissão da noite.
O fogo está aceso, o tempo tem sabor de verão.

Eu toco velhos discos, eu ilumino o meu silêncio.
Espero por amigos que sabem
o que vão encontrar na casa da montanha.
Relembraremos nossas histórias, a estranheza do que somos.
Tão raros; os que ficaram.

Mudou o mundo, o fim do ano é cheio de sóis diferentes.
Os rios secaram, cresce o capim nos caminhos que criamos.
O que é velho se afoga e deixa vagos sinais ao que é novo.
Nós que não mudaríamos nunca, nos debatemos em metamorfoses.

As estrelas já são milhares, eu sorrio em minha espera.
Refúgios ainda existem e ajudam a esquecer.
O fogo está aceso, o tempo crepita brilhante.
Lá embaixo na estrada, ouço motores chegando.