Arquivo para junho, 2010

Posted in as coisas on junho 29, 2010 by meuparedro





O inverno me faz lembrar
de dias que já vão ficando distantes,
imagens que quase não quero evitar.
Nomes que não significavam muito naquele tempo
mas agora, quando lembro de tudo aquilo,
é com um certo carinho.
As coisas tinham seu valor do jeito que eram.
Eu penso nas histórias que deixei para trás;
palavras, razões e pequenas mágoas
que circulam difusas entre minhas idéias.
Penso nas vozes, as mais doloridas.
Nunca mais as ouvi, a não ser nos sonhos.
E numa tarde de sol como esta,
os sonhos se sentam sobre a realidade
tornando pálido o horizonte.
Só posso pensar
que a gente acerta e erra, perde e vence
e a única certeza
é que sempre é preciso
recomeçar.





Posted in as coisas on junho 22, 2010 by meuparedro





Sou povoado por tudo o que admiro.
Convivo com meus fantasmas.
Preciso dos meus sonhos.
Leio as leituras que me lêem.
Sobrevôo o abismo e procuro traduzir o espelho.
Mas não me atenho a combinar
e a separar as coisas diferentes,
alheio ao que se passa fora de mim.
Percebo coisas.
Preservo as minhas trilhas.
Sigo modificado por minhas mudanças.
De forma que vez ou outra
posso ser burro e livre e selvagem,
pássaro sem direção,
obrigado a coisa alguma e feliz
por um longo instante.





Posted in idílios on junho 15, 2010 by meuparedro





Fecha os olhos,
a noite não vai te fazer nenhum mal.
Eu não vou embora, não te deixo sozinha.
Esquece essas palavras sem sentido,
esse oceano que tenta nos dividir.
As estrelas lá fora estão contentes por terem te encontrado.
Na tua janela, elas brilham com toda a força.
Cada um de nós tem seu próprio estoque delas
prá horas como essa.
Amanhã vocâ vai se dar conta.
Descanse, eu fico ao teu lado
e quando a manhã chegar
e tudo estiver bem novamente,
estarei aqui
esperando
pela volta
do teu sorriso.





Posted in as coisas on junho 8, 2010 by meuparedro




Depois da tempestade, eu parei de procurar um caminho diferente e permiti a mim mesmo ser ignorante. Foi uma estratégia, e tenho que admitir que não deu certo. Ás vezes perdemos tempo demais vivendo num modo menor. Depois, nem lembramos do que, na verdade, sequer aconteceu. Agora estou tentando as flexibilidades. Oferecer carinho por atenção. Aprender a pedir desculpas. Mostrar que me importo. O bicho vai se recolhendo á caverna. Numa transição dessas, não existem contornos. Tudo vai se estabelecendo em termos de simetria, e mais uma vez eu sou um iniciante, nascido trinta e três anos atrás para elevar a minha voz a esta altura, e não mais alto que isso.






Posted in as coisas on junho 1, 2010 by meuparedro




Eu que era tanto o silêncio
me pego ligando o rádio, a televisão.
Descobri que o barulho conforta (que nem o barulho conforta).
Da janela, observo as pessoas;
rostos, roupas, neuroses.
Lá fora, o sol parece conformado
em aquecer lentamente a cidade.
Nada quer perturbar a tarde da segunda-feira.
As pessoas se apressam indevassáveis.
Formigas diligentes
que parecem contentes com aquilo que sabem.
O que não sabem, está mesmo proibido ?
Acho que preferiria não saber.
Que vontade de não saber.
Vai passando o tempo e ainda não posso dizer
em qual encruzilhada das coisas
eu me perdi.