Arquivo para outubro, 2010

Posted in as coisas, tempestade on outubro 25, 2010 by meuparedro




Na cidade-cinza, mãos confusas se debatem
celebrando ícones do tempo que passa.
Joyeux anniversaire.
Na lâmina da noite, ás vezes não faz sentido ficar.

Pequenos milagres vão ficando para trás
em câmaras geladas de sacrifício.
Planos em nome da gentileza, vontades em honra ao passado.
Estranhas histórias humanas que precisam do martírio.

Eu sento em frente á janela
e comparo cores de lágrimas e sorrisos.
O dia nasce velho lá fora
e é assim que vai ter de ser; de volta ao possível.




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Posted in Referências on outubro 19, 2010 by meuparedro



Agora saca só esse pessoal aí na frente. Estão preocupados
contando os quilômetros, pensando em onde irão dormir esta
noite, quanto dinheiro vão gastar com gasolina, se o tempo
estará bom, de que maneira chegarão onde pretendem.
– e quando terminarem de pensar já terão chegado onde pretendem –
e quando terminarem de pensar já terão chegado onde queriam, percebe ?
Mas parece que eles tem que se preocupar e trair suas horas,
cada minuto e cada segundo, entregando-se a tarefas aparentemente
urgentes, todas falsas; ou então a desejos caprichosos puramente
angustiados e angustiantes, suas mentes jamais descansam, não
encontram a paz, a não ser que se agarrem a uma preocupação
explícita e comprovada, e tendo encontrado uma, assumem
expressões faciais adequadas, graves e circunspectas,
e seguem em frente, e tudo isso não passa, você sabe,
de pura infelicidade, e durante todo esse tempo a vida
passa voando por eles e eles sabem disso, e isso também
os preocupa, num círculo vicioso que não tem fim.


(Dean Moriarty)



Posted in tempestade on outubro 12, 2010 by meuparedro



Não tenho conseguido ver o céu.
Fico pensando
se seria o preço por ter aprendido a me controlar.
Agora
não sei mesmo dizer
se são veias ou rios correndo por baixo da minha pele
fluindo através de grandes espaços
onde rostos e vozes jazem enterrados
e pequenas criaturas
sussurram
o teu nome.




Posted in Lilac on outubro 5, 2010 by meuparedro





Cidade fria, luzes cinzentas, nuvens de tráfego.
Os sorrisos semifalsos de todo dia.
Tédio, medo, desconfiança;
desapareçam.
Este lugar está longe de tudo isso.
Andando na floresta, eu escuto o lamento da araponga.
O trinado das cigarras, o som das folhas caindo;
a natureza nega os apelos obscuros da humanidade.

Ao pé da cachoeira, eu páro e descanso por um minuto.
Por toda parte, flocos dourados de sol cobrem o chão.
No cume da montanha observo o sol dar adeus a mais um dia
e espero sem medo pelas sombras da noite,
enchendo minha mente com lembranças do passado.

Eu compartilho o mistério selvagem do pio da coruja.
Eu acompanho o vôo cego do morcego.
A água corrente do rio me sussurra histórias
de lugares que eu nem imaginava,
embalando meu sono serenamente enquanto vence o tempo
em sua viagem ansiosa até o mar.