Arquivo para fevereiro, 2010

Posted in Referências on fevereiro 26, 2010 by meuparedro



No tempo da nossa juventude, o amor nos parecia um sentimento forte, passível de transformar a vida. O desejo sexual, inseparável dele, acompanhava-se de um espírito de aproximação, de conquista e de participação que nos colocaria acima do dia-a-dia e nos tornaria capazes de grandes coisas. Uma das mais célebres pesquisas surrealistas começava com esta pergunta:
“Que esperança coloca no amor ?”
De minha parte respondi: “Se amo, esperança total.
Se não amo, nenhuma.”
Amar parecia-nos indispensável à vida, a toda ação, a todo pensamento, a toda busca. Atualmente, a acreditar no que me dizem, existe tanto amor quanto fé em Deus. Sua tendência é desaparecer – pelo menos em certos meios. Consideram-no ordinariamente um fenômeno histórico, uma ilusão cultural. Estudam-no, analisam-no – e, se possível, curam-no.
Eu protesto. Não fomos vítimas de uma ilusão.
Ainda que para alguns isso seja difícil de acreditar,
nós realmente amamos.

( Luis Buñuel, 1982. )




Posted in tempestade on fevereiro 18, 2010 by meuparedro




Combater a tristeza com pensamentos falsos
como “todo mundo passa por isso”.
Preencher o vazio com palavras
que podem significar tantas coisas.
O mundo neste instante é uma espécie de mancha
onde se movem vozes cores cheiros.
Fagulhas de perda, flocos de ausência que é necessário sufocar.
Ajustar-se ás coisas novas que precisam acontecer
porque o agora é forte demais
e ataca de muitas formas
e não abre mão de mim, dos meus dias, dessas horas da noite.





Posted in as coisas on fevereiro 8, 2010 by meuparedro






Como foi que nos ocultamos
sob essa nuvem de tempo ?

Aqui venta muito, e eu fico pensando nas coisas.

À tarde o vento leva embora os longos fios de areia.
Vão se perder no mar, é como se as dunas sangrassem.

Um sangue caramelo, de hábitos pacientes.

A casinha das dunas,
barco amarrotado cruzando a madrugada.

Palavras não combinam com tanta areia.
Ás vezes dá vontade de parar.





Posted in as coisas on fevereiro 1, 2010 by meuparedro



Uma dança que praticamos em silêncio

na intimidade da manhã.

Você na sua vida, eu na minha.

Emoldurados pelo acaso,

desenhando no ar e nos dias.

Sem pensar em ir mais ou menos longe;

apenas em ir.

Visualizando além dos planos

até onde as vontades definem o tempo.