Arquivo para maio, 2011

Posted in Referências on maio 31, 2011 by meuparedro





“A maioria silenciosa não liga pra nada, desde que à noite ronrone em suas pantufas… A maioria silenciosa, não se engane, se fecha sua boca é porque ao final das contas ela faz a lei. O que ela reivindica é ser paternalizada e tranqüilizada, além da sua pequena dose inofensiva de imaginário cotidiano”



Jean Baudrillard – À Sombra das Maiorias Silenciosas.



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Posted in idílios on maio 24, 2011 by meuparedro





Faz tanto tempo, mas eu lembro bem.
Passava por cima das coisas como um trator;
corria prá todos os lados, não parava de me agitar.
Tentava ser mais alucinado que a vida,
achava que assim poderia conquistá-la.
Cada dia era uma guerra, eu voltava para casa empoeirado do mundo.
E ela estava sempre ali ao meu lado.
Eu lembro da expressão triste que ela tinha no rosto
quando caía finalmente no sono.
Não havia nada que eu pudesse fazer quanto a isso.
E ela era tão linda que mesmo hoje acho difícil descrevê-la.
Foram-se os anos, e em matéria de verdade, ela foi a primeira.
Estranho como na lembrança o que não dói acaba sendo bonito.
Ainda que meio descolorido, que nem foto antiga.



Posted in tempestade on maio 17, 2011 by meuparedro



ás vezes parece que finalmente
eu posso pensar nas coisas que passaram
em paz
sem dor
e então olho para você penso que sim
podemos fazer do jeito certo
e eu tento
e você está lá
e vejo isso em seus olhos
e sinto em seu sorriso
que hoje a noite vai ser perfeita
que tudo está bem
e a noite é perfeita e tudo fica bem
mas foi apenas esta noite
e as coisas que passaram voltam
a me assombrar
no quarto vazio.




Posted in Referências on maio 10, 2011 by meuparedro



Se coloco meus lençóis no varal do amor,
é para que sequem
ao vento ou
que molhem no orvalho
da madrugada.

Se coloco meus lençóis no varal do amor,
é para que sintam o gosto do vôo.
Para que saibam e me voem,
quando eu estiver na cidade te vendo ao longe
com pés pesados de sonho tentando te alcançar.

Porque sem asas de lençol, você me escapa.
Em vontades úmidas na noite que se acaba,
em palavras incertas nos dias em que te vejo.

Se coloco meus lençóis a voar
é para que as palavras se achem desertas e únicas
a celebrar a vida nas mais doces paragens.
Como que a desejar ser vôo
ou palavra liberta,
sem rodeios noturnos.

Sonhar seu vôo no varal da madrugada.
Que nem os lençóis
ou os amores.



(Parceria com Mr. R.)


Posted in as coisas on maio 3, 2011 by meuparedro



Perigo é me tornar mais um desses que se jogam
na armadilha e gritam lá do fundo:
– Que é que eu vou fazer ?
Eu não posso perder meu emprego.

Você vai e dá um jeito de merecer seu pagamento.
Civilizado, sob controle; até mesmo eficiente. É preciso comprar o caminho, ganhar o dia e todo dia. Mas não é fácil se manter dentro da roda. Segurar a raiva e salvar algo de si para os descansos regulamentares. Cansado, paranóico, isso nunca diminui.
A decisão lógica é sair antes que te mandem embora.
Mas eles te têm bem preso, você precisa se manter dentro da roda. Precisa do dinheiro, do crachá; segurança compulsória corporativa. Nada mais natural que vestir a fantasia. E se você for bom o suficiente por tempo suficiente, tudo vai acontecer sem grandes percalços.
Pagar o aluguel, as contas, comprar do doutor aquelas pílulas felizes.
E trabalhar por mais um dia, antes que a vida acabe.