Arquivo para agosto, 2011

Posted in idílios, tempestade on agosto 30, 2011 by meuparedro





Seus olhos eram os olhos de uma menina,
procurando pela beleza das coisas naqueles dias escuros.
Ardiam de vontade de viver, recusando todo ódio e crueldade.
Ela chorava lágrimas de menina,
relâmpagos de dor entre os travesseiros.
Torrentes de luz e medo, eu tentava nadar entre as ondas.
E ela via, sentia o mundo com o jeito de uma menina.
Ela era a beleza daqueles dias escuros.
Eu amei seus olhos, suas lágrimas.
Cada minuto que passei a seu lado
foi o sonho de mil noites do meu tempo.



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Posted in as coisas, tempestade on agosto 23, 2011 by meuparedro



A dor pode vir de várias formas.
A agonia que sentimos fisicamente, a angústia que pesa
dentro do peito; o tormento e o medo no fundo da alma.
Há algo que possa ser feito ?
Eu não tenho certeza.
Sou capaz de lidar com qualquer sentimento, a não ser a dor.
Posso pensar em coisas insignificantes ou revoltantes
para confundir o amor.
Traçar imagens belas para controlar o ódio,
idéias construtivas para aliviar o tormento, contornar o medo.
Subterfúgios para fugir de qualquer coisa
que não queira pensar ou sentir.
Mas, quando estou sozinho e removo todos os mecanismos
da minha mente, eu sinto a dor.
Mais de um tipo de dor.
Meu corpo lateja e não se importa com as racionalizações da mente.
Minhas emoções me afligem quando sou rejeitado, me sinto desprezado ou sozinho.
Minha alma parece me abandonar quando sei que fiz algo errado
(ou penso que fiz)
Sempre me espantei com a intensidade deste conceito, a dor.
Trata-se de uma parte básica e antiga da minha vida.
Mas se eu páro um pouco para pensar; não há nada de trágico nisto.
É tão necessário.
Sou abençoado por minha capacidade de sentir dor.
Se não a tivesse, eu não seria humano.
Se eu não sentisse dor, não poderia amar.
Não conheceria a gratidão,
não seria capaz de sentir nada.

Que estranho seria não sentir nada.




Posted in homenagens on agosto 16, 2011 by meuparedro





Como a andorinha no fio de alta tensão
como o bêbado no ralo da madrugada
eu tenho tentado
do meu jeito
viver livre.

Como a minhoca na calçada
entre a chuva e o sol
como o cavaleiro de um daqueles livros antigos
eu tento proteger
o que tenho de bom
para alguém que compreenda.

E se eu,
se alguma vez fui grosseiro,
espero que você possa passar por cima e esquecer.
E se alguma vez fui desleal,
espero que você saiba que nunca, nunca contigo.

Como um bebê ainda chegando ao mundo,
como uma besta com seus cascos,
eu machuquei cada pessoa que tentou chegar realmente até mim.
Mas eu juro por estas palavras,
e por tudo o que tentei fazer e deu errado,
que não vou parar de tentar
e não esquecerei
de nada do que fomos.


(Transpirado de Leonard Cohen)

Posted in as coisas on agosto 9, 2011 by meuparedro





O dia é manso,

como que tentando camuflar a escuridão no ar.

Quanto está para chover, o tempo pára.

* Tá feio o céu, hein ?
* Não tá não.

Eu afundo a cara no livro e finjo ler. As letras embaralhadas.

Estou escuro também, eu faço parte da camuflagem.

* Que horas são ?

Mostro o pulso vazio. Quando está para chover, eu páro.

Quem já viu todos os sapatos do metrô sabe que a tragédia é iminente

* Dá licença ?

O tempo rui. Quando está para chover, o tempo desaba, sem uma gota d´água.

* Guarda-Chuva, só dez reais !

Quem pisa nas poças sabe do que eu estou falando.

As folhas das árvores anunciam que não existem mais segredos.

A sinfonia começa.

* * * *


Parceria com a




Posted in as coisas on agosto 2, 2011 by meuparedro





A cidade por onde ando tem as calçadas altas
para contrastar o asfalto cotidiano.
Saber-se na cidade
é ter a paciência do cristal que brilha em silêncio.

Eu penso em ti, tão distante.
Dias que explodem, desertos ferventes.
Atrás das montanhas, o mundo se agita
e sei que estás pensando em mim,
porque as nuvens se reuniram de novo.

Eu ando pelas ruas confusas
e andar sempre me deixa pensando.
A lâmina da batalha de cada dia;
a situação, o desânimo e a memória.
É bom estar fora da tempestade.
Ninguém luta de graça.
Ninguém consegue exatamente o que quer.
Ninguém dá garantia nenhuma.

As realizações possíveis,
a luz do sol.
Tudo o que ainda pode ser.
Sei que estou bem porque carrego comigo
o teu sorriso.