Arquivo para novembro, 2010

Posted in idílios on novembro 30, 2010 by meuparedro





Ah quando tínhamos a noite.
Inteira, toda nossa, salpicada de vagalumes.
Cada minuto era um embrulho de tempo negociado com o vento.
Você se lembra?
O horizonte prateado, tão longe, tão real.
Brincávamos de esconder com os fantasmas da madrugada.
Tudo era precioso, acreditávamos na noite.
Nossos olhos eram espelhos
conectados ás estrelas.





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Posted in tempestade on novembro 23, 2010 by meuparedro


Ás vezes a madrugada me surpreende escrevendo como um alucinado, destilando palavras que me trazem uma impressão quase material, recriando momentos onde a lembrança dela e dos pequenos prazeres proporcionados por nossa história surgem lancinantes das frases e seqüências de pensamentos. Não sei se bisonhamente ou não, sinto-me dominado por duas vontades opostas: lutar contra essa compulsão escriturária ou prossegui-la indefinidamente, alimentando um sofrimento espiritual que me é inexplicável, porque quase lúdico.
Como é ruim e como é bom estar assim, distante e sobretudo desesperançado dela, refazendo-a por meio de textos escritos com a finalidade de representar momentos no tempo, mas que para mim só traduzem o afastamento e a impossibilidade de reencontrar a mulher que amei.



Posted in homenagens on novembro 16, 2010 by meuparedro





Ela pára, sorri e pensa nas coisas por um minuto. Sempre uma palavra sobre a chuva, sobre o que acontece com a gente. Um mundo que deveria ser morangos e patos e canções, mas insiste em permanecer tão estranho.

Mas que se dane; ela acredita! Ela me disse que ás vezes deseja que tudo explôda. Ou sei lá, permaneça igual; não importa tanto assim. Porque quando Novembro chegar, a dor vai sumir e tudo será novo, outra vez.

Sabe quando o sol desponta sobre o mar, e o horizonte se transforma numa tela flamejante? Ela é assim.
A menina do início.





Posted in as coisas, idílios on novembro 9, 2010 by meuparedro





Eu vou em frente, é o meu caminho.
Não pode ser muito diferente disto.
Só o que sei é como estou me sentindo agora,
e eu me sinto vivo.
Nada mudou tanto assim, ainda passo muito tempo sozinho.
Mas parei de andar a mesma rua toda noite,
quem eu preciso está comigo.
Eu me perguntava se não estava esperando demais.
Ainda seria o mesmo quando chegasse a hora ?
E se estivesse esperando demais, a hora chegaria afinal ?
Porque é o meu caminho, só pode ser.
Ainda que várias vezes eu tenha errado.
Entrando em histórias que não são minhas, deixando-me atropelar.
Pessoas acostumadas a dizer que vão o mais longe que podem,
sem jamais simplesmente ir.
Eu quero ir.
Agora vou pela minha vontade, posso localizar minhas dores.
Existem luzes na estrada, não há de ser tão difícil.





Posted in Referências on novembro 3, 2010 by meuparedro



Se eu pudesse ser qualquer coisa
das coisas entre as coisas que são capazes de voar,
eu seria um morcego e viria esvoaçar á sua volta.
E se da última vez que você esteve aqui,
tivéssemos dito as coisas do jeito certo
porque você sabe o que acontece quando fica escuro
e as cobras perdem suas peles e seus corações.
Quando até as pessoinhas carolas esquecem seus discursos.

Ah, e todas as árvores da floresta arvorejam por você
e todo o veneno escorre nos caminhos por você
e as montanhas se penduram em suas bases procurando você.

Se eu pudesse ser qualquer coisa entre as coisas do céu,
em vez de super ave estravagante, eu seria uma pipa.
Ficaria preso na ponta do seu fio e voaria em segredo á noite.

E tudo o que é redondo
sai rolando á sua procura.
E rochas pré-históricas
saltam das profundezas da terra
por você,
e as criaturas mais estranhas
percorrem os cantos da noite
atrás de você.
Cortinas bordadas com diamantes
se abrindo á sua passagem.
Cavaleiros em batalhas lancinantes,
o Exército dos Cavaleiros Cruzados,
Todo o Sacro Império Romano lutando por você
e o gelo derretendo do pico das montanhas,
apenas por você.
E morcegos que com um beijo se tornam príncipes,
tudo por você.