Arquivo para setembro, 2011

Fragmentos – A Escrita.

Posted in Referências on setembro 27, 2011 by meuparedro




– Dois mitos poderosos nos fizeram acreditar que o amor podia, devia se sublimar em criação estética: o mito socrático (amar serve para “engendrar uma multidão de belos e magníficos discursos”) e o mito romântico (produzirei uma obra imortal escrevendo minha paixão)

– De um lado é não dizer nada, de outro é dizer demais. Impossível ajustar. Sou ao mesmo tempo muito grande e muito fraco para a escrita. Estou ao lado dela, que está sempre fechada, violenta, indiferente ao eu infantil que a solicita. O amor tem certamente alguma coisa a ver com minha linguagem (que o alimenta), mas ele não pode se instalar na minha escrita.

– Querer escrever o amor é enfrentar a desordem da linguagem: essa região tumultuada onde a linguagem é, ao mesmo tempo, demais e demasiadamente pouca, excessiva (pela expansão ilimitada do eu, pela submersão emotiva) e pobre (pelos códigos sobre os quais o amor a projeta e a nivela)

Saber que não se escreve para o outro, saber que as coisas que eu escrever não me farão nunca amado por aquela que amo, saber que a escrita não compensa nada, não sublima nada, que ela está precisamente aí onde você não está – é o começo da escritura.




Roland Barthes



Posted in as coisas on setembro 20, 2011 by meuparedro




Parar é duvidar, e eu já não duvido.
Não fico pensando na miséria de ser, estar, amar e enfrentar
essa confusão toda. A incerteza humana é grande demais.
A vida da gente, muito ligeira. Eu tenho a minha e ela é a única que está sempre acontecendo, tenho de saber dela o tempo todo e olha só, é só dela que sei de verdade.
Não posso afundar em angústias gerais. Não dá, e pronto.
Por isso respeito e aprendo com cada passo. E pretendo ir além, claro. E hoje sei que, onde não há esquecimento, nunca vão existir o perdão ou a vingança. O que existe é a gente se dar conta de que a vida continua, e não é ilógico que seja melhor à medida que vivemos e temos mais bagagem.
Passar pelas tempestades tem um valor imenso.
E não pode ser ruim.





Posted in tempestade on setembro 14, 2011 by meuparedro





Eu fico sentado franzindo as sobrancelhas como o vilão dos filmes, retraçando nossa estória e pensando em você.
Olha, eu sinto muito por ter te deixado triste. Mas não sei o que poderia ter feito diferente porque é desse jeito que eu sou.
Talvez não fosse assim se você tivesse me escutado e ficado comigo. Mas você tinha que dizer todas as coisas e sair e me deixar com as recordações, meus velhos fantasmas amestrados.
É como está sendo agora e é natural que eu não responda,
não posso deixar de proteger o que tenho de bom e tudo o que me trouxe até aqui. Se eu deixasse estar, seria de uma forma fraca;
um curativo bobo. Assim é melhor.
Talvez algum dia desses, você entenda.




Posted in idílios on setembro 6, 2011 by meuparedro



Desenhando meus passos no chão,
seguro a mão dela e tudo está bem.
Tudo mudou tanto e nem quero entender
como pode ser tão bom, como aconteceu tão rápido.

Zanzamos entre os dias como mosquitos.
Os velhos vícios, não sei mais que gosto têm.
Minhas vontades são mais simples agora, não quero mais brincar.

Ela é uma história de mistério,
uma oração dentro da noite.
Sob a luz das estrelas,
a única presença que me acalma.