Uma menina me fez acreditar em dias perfeitos.
Agora, eu sei que ela está em algum lugar na periferia das coisas,
vivendo uma vida antiga.
Ela escolheu assim, e estou aprendendo a não lamentar.
Senti, não pela primeira vez, a tristeza de compreender que
somos como um sonho.
Eu penso na menina e nas alegrias perdidas
(só os deuses merecem a existência de crenças, porque são imortais)
e toda a história que nunca vai acontecer e me dou conta:
Se acontecesse, seria com o tempo um evento a mais,
uma lembrança, mais uma das vaidades ou hábitos da memória.
Agora é ilimitada, infinita. Capaz de qualquer forma e qualquer gosto
e independente de todas as pequenas coisas constrangedoras.
E existe, existe de algum jeito.
Viverá e crescerá como uma música e estará comigo até o fim.

Por isso eu posso dizer; está tudo bem, minha querida.
(também os homens podem acreditar, porque na própria fé
há algo de imortal.)





(Gracias, Señor Borges)




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