Vou aprendendo a suportar os golpes,
os olhares de acusação não me ferem mais.
Talvez pela primeira vez, tenho o suficiente.
Todo dia o desafio da sobrevivência,
o caminho é escuro e as direções imprecisas.
Esquecido nas profundezas,
eu procuro a saída entre velhos corredores.
O passado me fortalece, basta uma simples lembrança.
Seria fácil envergar a lâmina, dar fim à angústia;
mudaria alguma coisa ?
Mas é preciso ter fé.
Reunir a força; perdoar e esquecer.
Reverter o destino, deixar o poder surgir.
Tudo o que preciso é de um pouco mais de tempo.




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Uma resposta to “”

  1. Gostava dessa espécie de beleza
    que podemos surpreender a cada passo,
    desvelada pelo acaso numa esquina
    de arrabalde; a beleza de uma casa devoluta
    que foi toda a infância de alguém,
    com visitas ao domingo e tardes no quintal
    depois da escola; a beleza crepuscular
    de alguns rostos num retrato de família
    a preto e branco, ou a de certos hotéis
    que conheceram há muito os seus dias de fulgor
    e foram perdendo estrelas; a beleza condenada
    que nos toma de repente, como um verso
    ou o desejo, como um copo que se parte
    e dispersa no soalho a frágil luz de um instante.
    Gostava de tudo isso que o deixava muito a sós
    consigo mesmo, essa espécie de beleza arruinada
    onde a vida encontra o espelho mais fiel.
    Rui Pires Cabral

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