Perigo é me tornar mais um desses que se jogam
na armadilha e gritam lá do fundo:
– Que é que eu vou fazer ?
Eu não posso perder meu emprego.

Você vai e dá um jeito de merecer seu pagamento.
Civilizado, sob controle; até mesmo eficiente. É preciso comprar o caminho, ganhar o dia e todo dia. Mas não é fácil se manter dentro da roda. Segurar a raiva e salvar algo de si para os descansos regulamentares. Cansado, paranóico, isso nunca diminui.
A decisão lógica é sair antes que te mandem embora.
Mas eles te têm bem preso, você precisa se manter dentro da roda. Precisa do dinheiro, do crachá; segurança compulsória corporativa. Nada mais natural que vestir a fantasia. E se você for bom o suficiente por tempo suficiente, tudo vai acontecer sem grandes percalços.
Pagar o aluguel, as contas, comprar do doutor aquelas pílulas felizes.
E trabalhar por mais um dia, antes que a vida acabe.



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Uma resposta to “”

  1. Me identifiquei tanto que até repassei seu poema a uns amigos…
    Excelente.

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