É tempo de manhãs frias e cores antigas.
Outono, partículas douradas no ar.
O renascimento do silêncio
como caravana que parte no amanhecer do nada.
As horas do dia vem e vão
em tijolos compactos de névoa.
Geométricas, calmas; quase imutáveis.
Em mim, a certeza de que nada é para agora
e o longo horizonte será conquistado colina a colina,
na desordem das coisas
sob o sol.



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2 Respostas to “”

  1. no sul, faz frio, muito frio.
    durmo com a coberta macia de pluma
    e me sinto abraçada,
    encolhida, pequena, miuda,
    me faço minima
    diante os metros longos
    da cama
    vazia.
    o coração quente
    bate veloz, ansioso
    esperando pela volta
    da presença
    daquele que me fez
    muito mais eu,
    hoje em dia,
    todos os novos dias.

    encontrei o amor
    e assim posso ser, agora, feliz…

    quis deixar um sorriso por aqui 😉

  2. ÉGUA DA NOITE

    Ai. Todas as causas anteriores existem para serem humilhadas diante desta. Quando falo dessa causa atual experimento uma voz que volta miando, armada, maior e maior para o meu ouvido por um caminho que desconheço e ela me arranha o decoro, essa voz retornada me põe engatada ao abstruso. Quando a vejo, ainda mais em mim e separada de tudo, num quadrado ou num pedaço de vermelho só dela, tem uma coisa, coisa coisa mesmo, pois não sei que diabo pode ser essa coisa além de ser coisa, que enxerga mais, mais e indiscretamente, um enxergar líquido e envolvente, me vê, vê minha nudez babar enquanto te invento, modelo para amar, começo te armando nos meus olhos, sei que a coisa está na causa e me veste em sede para um baile calcado em finíssima mornura, agora o dorso, baile enluarado cheirando a aço e eu ouço cavalos blindados por uma força talhada em candura. Cavalos pardos. Animais cegos que da cegueira sinalizam brancura. E tem o mar. Um penhasco tão perto e alto e profundo como essa causa atual e depois um mar de umas águas que cochicham imitando o meu cacarejar; FICA COMIGO, ESSE QUE EU TRAÇO! ME FAZ AXIOMA DE CAVALOS CEGOS, ARREIA O MEU REGAÇO!
    O que esse baile quer de mim? Por que esse mar desdenha o que sinto e por que o penhasco nos separa dele? Por que cavalos e não fome? Meus mitos, sobretudo os eróticos, são forças com as quais Deus lavra nossas noites me equiparando. Mina a espera, unta meus vãos, assiste à construção desse homem crepitado, barbado, assombrado e então inteiro.
    Fabrico signos para essa causa, roubo alguns de um livro, arranco outros dos meus sonhos, do ar dormido para o acordado, para o vivo, sempre agora e faiscante. Psique curvada para fora e para cima e coaxante. Ai. Estou do avesso, direta e escandalosa. Para essa causa atual me flagro boneca quebrada, vadia, carola ruidosa. Não fujo dos Tártaros, sinto chumbo no sexo e se isso é mais um sonho com você a responsabilidade também é tua, crua, metálica e docente.
    Nunca e sempre vi esse homem de lava, basilisco, alarido e dor. O que me queima as omoplatas, a nuca, me enxovalha a biografia. Esse bárbaro que me toma pelos seios, me despe a cuspe e ordens salafrárias. Nosso baile dança num castelo de altura infinitamente infame cujo assoalho é feito das lascas de um atlântico alabastro que eu guardei e que, de longe, ele estilhaça, pontas para cima, pés perolados e descalços, suor e sangue, nós e cor. Hélène, Nicole, Polanco, Calac, Austin, Frau Marta, a cidade, Tell, Marrast, Juan, um comensal gordo, e mais outros, figuras lindas presas no papel, assistem invejosas a nossa coreografia de línguas e pescoços e lombos e torpor.
    Nós. O Castelo Sangrento e nós.
    Suas ancas se prendem às minhas garras. Acorrento-me ao teu peito quando cravas os caninos no meu ombro que já é tão teu. Ai. Nossos fluídos refazem as sacras figuras dos vitrais. Grunhimos. Beijo e beijo as tuas solas e palmas, doem-me as papilas e punhos e os pulsos e a própria pulsação se faz estômago, quentura e gelo. Ajoelhada, tenho a boca castigada pelo teu abdômen, teus pelos fustigam meus lábios. Rosno. Minhas garras prendem tuas ancas. Volição afiada talhando as tuas virilhas. Lança e Galgo dourados trespassando a caça. Tua lança me sabe, me lambe a gengiva, tateia e cruza o céu da minha boca onde dois planetas se chocam ao notarem essa valsa astral e tu te zurras. Tu te zurras todo em mim.
    Então chovem estrelas. Chovem estrelas aqui e daqui para a garganta, escorrem pelo marfim.
    Estrelas para Calar por mim a tua Carla, enfim.
    Mas o cravo e o rabecão não calam.
    Aparto uma perna da outra. Rumino a espera do sacro encaixe. Ofereço-te a temperatura do que de melhor eu tenho em fendas. A tua pressa empala a minha carne latejante. Galgo e lança dourados golfando as minhas funduras.
    Meu colo. Nau colo. Nós.
    Ele está em mim.
    Me unge em uivos, é ululante é o último mastim.
    Me rasga, me dilacera depois me sara com a poção de umas estrelas vivas assim e assim.
    Nós.
    Volto a respirar.
    Engulo o ar como quem respira o primeiro ar do primeiro dia, da primeira luz do primeiro número par. Vivo e choro e urro:
    Quem olhar meu horizonte verá; esse homem anda me navegando aos nós e para tanto, derrama estrelas dentro e fora de mim. Ele em mim é tão intenso quanto imensa é vontade de que ele cresça até sobrar quase nada de mim, quase nada de mim e tanto dele. Quase nada. De mim. A Quilha. Carquilha. Senhora Carquilha.
    Carquilha iridescente, cadelinha regada de estrelas, que, atravessa os vitrais baços, pastoreia os cavalos, um a um, ao penhasco e do penhasco ao mar. Os cavalos se lançam ao mar num terrível derradeiro relincho.
    Latimos; LUMINESCENTEATROCIDADELUMINESCENTEATROCIDADELUMINESCENTEATROCIDADELUMINESCENTEATROCIDADELUMINESCENTEATROCIDADELUMINESCENTEATROCIDADELUMINESCENTEATROCIDADELUMINESCENTEATRO.
    Ficamos surdos. Estamos mudos e coxos e Santos. Eu e o meu amo.
    E a causa ronca.
    Fiz um segredo para os nós. Não espalha: Agora você é portátil.
    Volto ao sono montada no meu ontológico gozo.
    Tenho um esboço de sorriso guiado por estrelas.
    Estou mole, amo. Estou mole e mole e mole.
    Durmo. Sonho uma constelação.
    A tua. Ai. Todas as outras constelações existem para serem humilhadas diante desta.
    Quem olhar meu horizonte verá; esse homem anda me navegando aos nós e para tanto, derrama estrelas dentro e fora de mim.
    Dentro e fora de mim.

    AI interj. Designa dor.

    AMO sm. 1. Dono da Carla. 2. Dono da casa ou estabelecimento.

    ARMADA sf. Um monte de marinheiros em seus navios destinados ao serviço naval, pertencentes ao Estado e incorporados à Marinha de Guerra. Ai.

    BABA sf. 1. Saliva que escorre da boca; babugem. 2. Muco segregado por certos animais.

    BEIJO sm. Ato de tocar com os lábios em alguém ou algo, fazendo leve sucção; ósculo.

    CARLA sfdli. 1. Aquela que coisou o depoimento aí em cima. 2. sign. Aquela que quer e não deve ser contrariada.

    CAUSA sf. 1. Aquilo ou aquele que faz que uma coisa exista. 2. Aquilo ou aquele que determina um acontecimento. 3. Razão, motivo. 4. Partido, interesse. 5. V. Demanda.

    COISAR vt. 1. Fazer ou implorar para fazer com que a coisa em si coise.

    DEUS sm. 1. Ser infinito, perfeito, criador do Universo. 2. Divindade masculina superior aos homens.

    DIABO sm. 1. V. Demônio. 2. Demo, Satanás, Lúcifer, O CoisaRuim, Sete Capas, O Maligno. 3. Aquele que amassou o pão. 4. Promoter do inferno.

    DORMIR v.int. 1. Estar entregue ao sono. 2. sin. Inf. Nanar. 3. Distrair-se. 4. Estar latente.

    ESTRELA (ê) sf. 1. Nome comum aos astros luminosos que mantém praticamente as mesmas posições relativas na esfera celeste, e que, observados a olho NU, apresentam cintilação. 2. Qualquer astro. 3. Destino, fado.

    EXISTIR (z) v.int. 1. Ter existência real. 2. Viver, estar. 3. Subsistir, durar.

    FENDA sf. 1. Abertura numa superfície, ou em objeto fendido(não fedido! Fendido) ou rachado (não muito). 2. Qualquer abertura estreita (nem tão qualquer).

    GARGANTA sf. 1. Parte anterior do pescoço; gorja, gasganete, goela. 2. Entrada ou abertura estreita.

    GRUNHIR v.int. Soltar grunhidos (o porco ou javali ou outros animais).

    HOMEM smm. Ele, esse ele aí do depoimento. O que eu nunca vi. E anda por aí.

    INVEJA sf. 1. Desgosto ou pesar pelo bem ou felicidade de outrem. 2. Desejo violento de possuir o bem alheio.

    JÁ adj. 1. Neste momento, agora.

    LANÇA sm(no caso). 1. Arma ofensiva ou de arremesso (não é o caso). 2. Haste de madeira terminada por ferro pontiagudo. 3. Varal de carruagem.

    LOMBO sm. 1. Costas, dorso. 2. Parte carnosa ao lado da espinha dorsal dos animais.

    MITO sm. 1. Narrativa de significação simbólica, e que encerra uma verdade cuja memória se perdeu no tempo. 2. Pessoa, fato ou coisa real valorizados pela imaginação popular, pela tradição, etc. 3. Fig. Coisa ou pessoa fictícia, irreal; fábula.

    NU adj. 1. Sem vestuário; despido. 2. Descalço. 3. Descoberto, exposto.

    NÓ sm. 1. Entrelaçamento de uma ou duas cordas, linhas ou fios. 2. A parte mais dura da madeira. 3. A articulação das falanges dos dedos. 4. União, vínculo. 5. Unidade de velocidade, igual a uma milha marítima (1.852m) por hora.

    ONTOLÓGICO adj. Filos. Relativo ao que é, ao real.

    PORTÁTIL adj. 1. De fácil transporte. 2. De pequeno volume e/ou pouco peso.

    PRESSA sf. 1. Necessidade intensa de chegar a um lugar ou atingir um objetivo. 2. Precipitação.

    PSIQUE sf. A alma; o espírito; a mente.

    QUILHA sf. Peça estrutural básica do casco de uma embarcação.

    RUÍDO sm. 1. Som provocado pela queda de um corpo. 2. Som confuso e/ou prolongado; rumor. 3. Qualquer som. 5. Fig. V. boato.

    SENHORA (ó, ô) sf. 1. Fem. De senhor. 2. Esposa, mulher. 3. Tratamento de respeito dado às mulheres que se dão ao respeito.

    SIGNO sm. 1. Sinal, símbolo. 2. Cada uma das doze constelações localizadas na faixa do Zodíaco. Ai.

    SINAL sm. 1. O que serve de advertência, ou possibilita conhecer ou prever algo. 2. Expediente convencionado para se transmitirem a distância ordens, notícias, etc. 3. Aceno, gesto. 4. V. Indício. 5. Pequena mancha da pele; pinta. 6. Manifestação, prova. 9. Símbolo de uma operação matemática. 10. Bras. V. Sinaleira.

    TRAÇO sm. 1. Traçado. 2. Risco ou linha traçada a lápis, pincel ou pena.

    UIVO sm. 1. Voz lamentosa do cão, do lobo e doutros animais. 2. Ato de vociferar.

    VERMELHO (ê) adj. 1. Da cor do sangue, do rubi. 2. Corado, rubro. sm 3. A cor vermelha. 4. A Carla, a letra i e o número 3.

    VONTADE sf. Coisa que dá na gente e 1. Ignora algumas palavras dessas em vermelho e superestima outras, também em vermelho. 2. Em determinados casos, pode passar por cima da razão, da psique e do mito. 3. Necessidade iminente de alguém que pode ou não andar por aí, dependendo do momento.

    ZURRAR v.int. Emitir zurros; ornejar.

    EXAME FINAL
    Faça uma frase ou um dito ou uma piada ou uma mandinga ou uma poesia ou um funk ou um conto ou uma propaganda ou uma bula ou um epitáfio(que faça sentido! (mesmo que só para você!)) que inclua no mínimo 10 (dez) das palavras vermelhas acima em qualquer tempo, pessoa, causa, sentimento, contexto, deturpação e ou guti gutis, desde que sirva como critica, construtiva ou não, ao depoimento ÉGUAS DA NOITE.

    Exemplos:

    1. (FRASE)
    O signo vermelho da Carla é só um dos traços de uma psique ruída que lança baba na quilha de quem grunhir.

    2. (MANDINGA)
    Coise um lombo de homem numa estrela vermelha. Amarre com um bom nó. Lance tudo numa poça de baba de Carla. Uive. Não tenha pressa. Ele deve existir.

    3. (DITO)
    Beijo babado e apressado é sinal de lombo nu sem homem para coisar a causa de uma fenda!

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