Eu cruzo as calçadas altas da madrugada,
essa teia de horas onde não há uma porta aberta sequer
para justificar a existência da Cidade.

Por trás dos olhos das casas percebo rostos ansiosos;
o medo a dúvida a procura.
Quentes ares do Senhor Cidadão
precificados num silêncio de depósito.

Sobreviver na cidade é compartilhar o silêncio das pedras do calçamento,
e acreditar que o caminho possível
é tirar o melhor desses tempos escuros.





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7 Respostas to “”

  1. sempre unico, sempre denso, sempre
    num mar repleto de tanto conteúdo e significados…

    sempre esquentando o coracao
    com meia duzia de palavras
    ecoando em nossa alma 🙂

    saudades

  2. sobrevivênci silêncio solidão. cidade.

  3. O vazio silêncio de um depósito. O duro siêncio das pedras do calçamento. Nenhuma porta aberta. Senão a poesia, o melhor desses tempos escuros.

  4. “Precificados num silencio de depósito….”
    O custo/resultado da existência
    quantificado na poesia…
    isso!

  5. Miau

    É aquela hora de sempre. A mesma. E eu sempre; o que vai começar?
    Porque sempre começa alguma coisa. Torno a sentir a necessidade de ficar sozinha algum tempo para quando aconteça alguma coisa. Pensar no que está acabado porque sempre que começa alguma coisa, algo já está acabado, e pensar no que estava acontecendo, ou seja, a espera. E durante a espera sempre alguma meditação que pode ou não servir para alguma outra coisa que não a coisa.
    Então é a semana dos contatos com o atroz, com uma flor caída de uma árvore nunca notada, com a dança da eletricidade no corpo do operário e ainda arranjo um espaço para sentir vontade de alguém que eu nunca vi.Tem um cheiro de sangue essa semana. Como que um sangue na língua do Sr.Gilles de Rais. Sangue das dores dos outros. Eu relincho da janela e os outros sofrem. Eu também sofro. Mas não estou lá fora. E relincho janela janela janela nesse não sou, aspecto espaço, não estou, manda dizer que eu saí, sou mais uma pérola sem minha ostra ou vise e versa ou nem isso. Mais três relinchos para aquecer ainda mais as queimaduras do operário. Algo em mim sorri, lábio mortiço na janela e em seguida a timidez ou coisa assim o tal senhor que eu nunca vi a cor da dor de uma única criança do Sr. Gilles, guerras, asteróides, as enguias do Sr. Julio, o sol quebrando (desde sempre tive medo de que o sol pudesse se quebrar e medo de encontrar um elefante do tamanho de um rato e medo de sentir nascendo, na minha coluna vertebral, um dedo que se mexe. Mas isso é assunto para outra semana dessas), cada tragédia moderna que cumpre a sua temporada e some e às vezes volta e depois some enquanto estamos todos adulterados na nossa plausibilidade, quase acreditando que esse nosso puríssimo coração acribillado chora essas barbaridades, que sente o que sentiram essa gente. O que acontece e que quase nenhum de nós admite (e isso é tão bárbaro quanto a tragédia) é que, exatamente, cada barbaridade que, no primeiro instante nos choca, logo em seguida serve como que um suco revigorante, uma vitamina estrema e necessária sim e nos aprazemos. De alguma maneira nos aprazemos. Não só pelo óbvio fato de saber que estamos bem apesar de alguém que não, mas principalmente e verdadeiramente morbidamente, a tragédia alheia nos nutre de espaço. Sobra espaço para viver, para por coisas em ordem cada vez que um Airbus ou um Haiti aparece. Choramos sim, alguns de nós rezam, outros se deprimem, mas o fato é que, como uma gaveta cheia e desarrumada, nossas vidas, por mais realizadas, completas que possam parecer, vão ter sempre algo que incomoda, uma ponta pra fora, a desordem entre as cores, algo do lado avesso e aí uma tétrica mágica acontece e a gaveta passa a estar organizada e sobra espaço pois as meias furadas foram jogadas no lixo e agora cabem outras novas que estão por vir, vão se juntar às meias dobradinhas e separadas por cor ou tamanho ou cronologia. É a tragédia. Mas tem de ser a dos outros. Se não, não serve.
    A tragédia dos outros nos presenteia com espaço e ordem. Alguns retribuem doando caixas de leite, água mineral, enlatados. Mas isso não paga nada. Essa tragédia quer os nossos olhos.
    Quando olhamos de fora para a tragédia sentimos um imenso pavor de que a tragédia também nos veja.A senhora está olhando para mim? Por isso usamos máscaras diante da tragédia. Se ela resolver nos encarar, não vai saber quem somos. Enganamos as tragédias. Lábios e olhos mortiços atrás da máscara. O castigo para fora e o espaço na gaveta. A culpa viva sob os escombros.
    Quase acreditamos que o perdão mia como um filhotinho, não de gato, de onça, mas filhotinho, que mia e se enrosca numa de nossas pernas e mia um miado doce, mas sabemos que filhote cresce então aos poucos vamos nos livrando da onçinha, começamos a ignorar o miado que some e já não precisamos de misericórdia. Podemos respirar sem a máscara, pois a desgraça já nos deu as costas e procura outro lugar no tempo para nos aprazer e apavorar. Relógio vivo sob as cinzas. Tememos e esperamos a tragédia. E aquele alguém que eu nunca vi. E aquele alguém que anda por aí.

  6. ….se for o teu paredro, nem adianta seguir o meu. Dr. sStanley está tão perdido quanto eu.(faço uma micro cirurgia esse findi!uh! resta saber quem falou….de qualquer forma foi com vc, gilbóia!….daqui pra frente e até o sr. frear, só com vc., mas o que eu estava dizendo mesmo….já sinto a morfina….será morfinaa…..parece mais dramático…….então sim. MORFINA!!!!!….DE QUALQUER MANEIRA , NÃO TE CONHEÇO E SINTO A TUA FALTA!……FICAREI DE MOLLHO UNS DIAS ….SE QUISER, ME LIGA!….(11) 89922886…. (11)43664209

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