No tempo da nossa juventude, o amor nos parecia um sentimento forte, passível de transformar a vida. O desejo sexual, inseparável dele, acompanhava-se de um espírito de aproximação, de conquista e de participação que nos colocaria acima do dia-a-dia e nos tornaria capazes de grandes coisas. Uma das mais célebres pesquisas surrealistas começava com esta pergunta:
“Que esperança coloca no amor ?”
De minha parte respondi: “Se amo, esperança total.
Se não amo, nenhuma.”
Amar parecia-nos indispensável à vida, a toda ação, a todo pensamento, a toda busca. Atualmente, a acreditar no que me dizem, existe tanto amor quanto fé em Deus. Sua tendência é desaparecer – pelo menos em certos meios. Consideram-no ordinariamente um fenômeno histórico, uma ilusão cultural. Estudam-no, analisam-no – e, se possível, curam-no.
Eu protesto. Não fomos vítimas de uma ilusão.
Ainda que para alguns isso seja difícil de acreditar,
nós realmente amamos.

( Luis Buñuel, 1982. )




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