Os anos escoam e não há como esconder
eu sinto falta dos ideais e das promessas
as imagens de uma vida em chamas
tudo aquilo que quis no início.

Me pego olhando para o passado
e fico tentando descobrir onde meus começos me levaram.
É como se eu navegasse há muito num lago de tempo
e só agora percebo que, do barco, só restam lembranças.

Os rostos foram ficando para trás.
Aqueles planos ainda existem,
mas ameaçam desabar sobre si mesmos.
Eu acordo de manhã e ele está sempre lá,
o menino que pergunta o que é que a vida vai ser.

A procura, os objetivos dos quais mal me recordo.
Aquilo que ainda resta viver.
É fácil culpar o tempo que levou para chegar até aqui.
Aqueles que me atrasaram, os freios que encontrei no caminho.

Quero parar a roda-viva, dizer a todos que parti
para encontrar alguém perdido há muito
cuja presença quero demais agora
para me ajudar a seguir adiante.





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6 Respostas to “”

  1. ficcaobarata Says:

    aquele pequeno jovem poeta ainda tá aí, bicho, nunca foi embora. só precisa pegar ele pela mão e levar pra passear de vez em quando.
    vai te lembrar das coisas que importam.
    grande abraço.

  2. …a roda gira, as perspectivas mudam, com elas, alguns planos. Mas o sabor do vento, a alegria de rodar….podem ainda ser os mesmos, ou ainda mais saborosos, depende do nosso saborear. *Estrelas, irmão!**

  3. COISA MAIS MALUCA! qUEM DISSE ISSO AÍ EM CIMA FUI EU, FUI EU!!!

  4. “Onde você ainda se reconhece…na foto passada ou no espelho de agora?” (Oswaldo Montenegro – A Lista)

  5. Gil, acho que esse é o grande x da nossa geração. saudades do que não fomos. bom te ler de novo!

  6. seu texto me lembrou tanto uma coisa que li do caio fernando abreu dia desses:

    “e acreditávamos que um dia seríamos grandes, embora aos poucos fossem nos bastando miádas alegrias cotidianas que não repartíamos, medrosos que um ridicularizasse a modéstia do outro, pois queríamos ser épicos heróicos românticos descabelados suicidas, porque era duro lá fora fingir que éramos pessoas como as outras, mas nos cantos daquele quarto tínhamos força sangue esperma, talvez febre, feito tivéssemos malária e delirássemos juntos navegando na mesma alucinação que a matéria fria da guarda da cama não traz de volta, porque tudo passou e é inútil continuar aqui, procurando o que não vou achar, entre livros que não me atrevo a abrir para não encontrar seu nome, o nome que teve, e certificar-me de que a vida é exatamente esta, a minha, e que não a troquei por nenhuma outra, de sonho, de invento, de fantasia, embora ainda o escute a dizer que compreende que alguns outros devem ter sentido a mesma dor, e a suportaram, mas que esta dor é a dele, e não a suportaria, e saber que tudo isso se perdeu como o calor do chá de jasmins esquecido sobre o piano, e então.”

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